por Fabiana Esteca
Quando entrei no cinema para assistir a Um lugar qualquer, novo filme de Sofia Coppola, não fazia ideia do tema, fui só com a expectativa de ver um filme bom, de uma diretora que me conquistou em Encontros e desencontros (2003).
O estilo de Sofia Coppola é muito singular. A diretora consegue transmitir sentimentos sem precisar ser óbvia, em um ritmo contemplativo, que a muitos não agrada. Não é imprevisível, tampouco previsível.
Os dois filmes citados se aproximam em muitos aspectos, tratam da melancolia de uma vida agitada, mas sem sentido e solitária, com prazeres pontuais, instantâneos, proporcionados pela fama.
Entre outras coisas, o sucesso – em sua forma mais crua – é também um dos questionamentos da cineasta. O personagem Johnny Marco, interpretado por Stephen Dorff, é a tradução explícita do sucesso, tal qual está presente no imaginário coletivo. Infelizmente é este ideal que muitas vezes queremos comprar: a busca por reconhecimento, a auto-afirmação a partir de conquistas amorosas descartáveis, o poder de compra, porém não passam de recursos para preencher a falta e sair do tédio. É a fuga perfeita: sem dor, sem sobressaltos, sem crises, sem alegria, sem nada – como o olhar de Johnny Marco.
Outro ponto de destaque é o modo como o amor é abordado. Cenas comuns, corriqueiras, refletem como a relação de duas pessoas pode ser doce, dentro da complexidade presente no amor.
Para o sociólogo Bauman, atualmente vivemos um processo de fragilização dos laços humanos inerente à pós-modernidade. Segundo ele, a cultura de consumo em que vivemos está sempre vendendo produtos e sensações inéditas, em geral, a troca constante do “velho” pelo novo. As relações atuais são um reflexo disso, o envolvimento diminui, pois o apego é uma ameaça diante da crença de que é preciso estar livre emocionalmente para poder experienciar outras relações, sempre com a promessa de que as próximas serão melhores.
Por isso, o filme de Sofia Coppola me parece necessário, ao menos para nos darmos conta que com a liquidez invencível da nossa vida contemporânea, algo valioso pode estar escorrendo entre nossos dedos.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Democracia e Arte - Milton e Tiso
Incrivel... que dupla... que sonoridade... que voz... que letra! Aos egípcios que farão cair a ditadura como fizemos por aqui com ajuda de caras como o Milton! "Na boca da noite um gosto de sol"... gosto de esperança! Gosto de democracia!
Por Pedro Quaresma Cardoso
Por Pedro Quaresma Cardoso
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
E dá-lhe Rivotril - RICARDO MELO
RICARDO MELO
E dá-lhe Rivotril
SÃO PAULO - A melhor coisa do mundo é um banco bem administrado. A segunda melhor é um banco mal administrado. As frases, de autoria desconhecida, refletem a imagem popular sobre como é fácil se dar bem tirando proveito da especulação financeira e do desespero alheio. Nos dias atuais, os laboratórios farmacêuticos podem muito bem engrossar a lista de sucesso.
Se a empresa produzir calmantes, aí, então, é lucro certo. Se o país for o Brasil, melhor ainda. A repórter Cláudia Collucci nos informa, pela Folha, que entre 2006 e 2010 a venda do ansiolítico clonazepam por aqui cresceu espantosos 36%.
A joia da coroa é o Rivotril. As sensações que ele produz: o freguês (é assim mesmo que deveria ser chamado) fica relaxado, mais "feliz" e passa a dormir melhor. Efeitos colaterais? Bem, nada é perfeito.
O psiquiatra Ronaldo Laranjeira lembra que, com pouco tempo de uso, o consumidor já se torna dependente. Em termos empresariais, cria-se uma espécie de fidelização química, um verdadeiro achado.
O fato de um remédio desse tipo virar campeão de audiência diz algumas coisas. Na mesma reportagem, Laranjeira ressalta a fragilidade da vigilância sanitária nacional. Desconfia também de conluio entre laboratórios, profissionais do ramo e farmacêuticos. "Mas é só suspeita", faz questão de ressaltar.
Nada contra descobertas da medicina que ajudem as pessoas a viver menos pressionadas, mesmo que seja só para dormir, acordar e "envelhecer mais um dia". Quem não conhece alguém que já perdeu a esperança, mas de tempos em tempos comparece religiosamente a um consultório só para abastecer sua despensa farmacológica e engordar o caixa do laboratório?
O médico insiste que está curando, o freguês-paciente se convence (ou finge) que está sendo tratado e estamos conversados, sempre para o alívio de parentes. Não só para isso, mas em muitas áreas, remediar dá mais retorno do que prevenir.
FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1701201103.htm
E dá-lhe Rivotril
SÃO PAULO - A melhor coisa do mundo é um banco bem administrado. A segunda melhor é um banco mal administrado. As frases, de autoria desconhecida, refletem a imagem popular sobre como é fácil se dar bem tirando proveito da especulação financeira e do desespero alheio. Nos dias atuais, os laboratórios farmacêuticos podem muito bem engrossar a lista de sucesso.
Se a empresa produzir calmantes, aí, então, é lucro certo. Se o país for o Brasil, melhor ainda. A repórter Cláudia Collucci nos informa, pela Folha, que entre 2006 e 2010 a venda do ansiolítico clonazepam por aqui cresceu espantosos 36%.
A joia da coroa é o Rivotril. As sensações que ele produz: o freguês (é assim mesmo que deveria ser chamado) fica relaxado, mais "feliz" e passa a dormir melhor. Efeitos colaterais? Bem, nada é perfeito.
O psiquiatra Ronaldo Laranjeira lembra que, com pouco tempo de uso, o consumidor já se torna dependente. Em termos empresariais, cria-se uma espécie de fidelização química, um verdadeiro achado.
O fato de um remédio desse tipo virar campeão de audiência diz algumas coisas. Na mesma reportagem, Laranjeira ressalta a fragilidade da vigilância sanitária nacional. Desconfia também de conluio entre laboratórios, profissionais do ramo e farmacêuticos. "Mas é só suspeita", faz questão de ressaltar.
Nada contra descobertas da medicina que ajudem as pessoas a viver menos pressionadas, mesmo que seja só para dormir, acordar e "envelhecer mais um dia". Quem não conhece alguém que já perdeu a esperança, mas de tempos em tempos comparece religiosamente a um consultório só para abastecer sua despensa farmacológica e engordar o caixa do laboratório?
O médico insiste que está curando, o freguês-paciente se convence (ou finge) que está sendo tratado e estamos conversados, sempre para o alívio de parentes. Não só para isso, mas em muitas áreas, remediar dá mais retorno do que prevenir.
FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1701201103.htm
domingo, 16 de janeiro de 2011
Venda de calmante dispara no Brasil
Venda de calmante dispara no Brasil
Em 4 anos, salto foi de 36%; tranquilizante é o 2º mais vendido entre drogas com receita e só perde para anticoncepcional
Para psiquiatras, há um abuso na indicação do tarja preta clonazepam, que causa dependência e danos na memória
A vendedora Mariana Vasconcelos do Prado, 26, não consegue dormir sem tomar o Rivotril
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO
A venda do ansiolítico clonazepam disparou nos últimos quatro anos no Brasil, fazendo do remédio o segundo mais comercializado- entre as vendas sob prescrição.
Entre 2006 e 2010, o número de caixinhas vendidas saltou de 13,57 milhões para 18,45 milhões, um aumento de 36%. O Rivotril domina esse mercado, respondendo por 77% das vendas em unidades (14 milhões por ano).
O levantamento foi feito pelo IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica, a pedido da Folha. O tranquilizante só perde hoje para o anticoncepcional Microvlar (em média, 20 milhões de unidades por ano).
Para os psiquiatras, há um abuso na indicação desse medicamento tarja preta, que causa dependência e pode provocar sonolência, dificuldade de concentração e falhas da memória.
Eles apontam algumas hipóteses para explicar o aumento no consumo: as pessoas querem cada vez mais soluções rápidas para aliviar a ansiedade e o clonazepam é barato (R$ 10, em média).
Médicos de outras especialidades podem prescrever o ansiolítico e há falta de fiscalização das vigilâncias sanitárias no comércio da droga.
Procurada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não se manifestou sobre o assunto.
Para o psiquiatra Mauro Aranha de Lima, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina), é "evidente" que existe indicação inapropriada do remédio, especialmente por parte de médicos generalistas, não familiarizados com a saúde mental.
Muitos pacientes, segundo ele, já chegam ao consultório com queixas de ansiedade e pedindo o Rivotril. "As pessoas trabalham até tarde, chegam em casa ansiosas e querem dormir logo. Não relaxam, não se preparam para o sono. Tomar Rivotril ficou mais fácil", diz ele, também presidente do Conselho Estadual Sobre Drogas.
Lima explica que entre as medidas adotadas pelo Cremesp para conter o abuso no uso do remédio estão cursos de educação continuada voltados a médicos generalistas.
Na sua opinião, a precariedade do atendimento de saúde mental no país também propicia o abuso do remédio.
INDICAÇÃO DE AMIGO
O psiquiatra José Carlos Zeppellini conta que recebe muitos pacientes que não tinham indicação para usar o remédio e que se tornaram dependentes da droga.
"Em geral, começaram a tomá-lo por sugestão de amigos e vizinhos, em um momento de tristeza, após terminar um namoro, por exemplo. Não é doença. Depois, não conseguem parar de tomá-lo porque têm medo de não se adaptar. É mais uma dependência psíquica do que física", acredita ele.
Entre os usuários do Rivotril, existe um misto de glamorização e demonização em relação à droga.
Páginas no Facebook, classificadas na categoria entretenimento, tratam o Rivotril como "remedinho maravilhoso". Outros grupos on-line, porém, discutem a dependência e os efeitos colaterais do remédio.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd1601201101.htm
Em 4 anos, salto foi de 36%; tranquilizante é o 2º mais vendido entre drogas com receita e só perde para anticoncepcional
Para psiquiatras, há um abuso na indicação do tarja preta clonazepam, que causa dependência e danos na memória
| Marisa Cauduro/Folhapress |
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO
A venda do ansiolítico clonazepam disparou nos últimos quatro anos no Brasil, fazendo do remédio o segundo mais comercializado- entre as vendas sob prescrição.
Entre 2006 e 2010, o número de caixinhas vendidas saltou de 13,57 milhões para 18,45 milhões, um aumento de 36%. O Rivotril domina esse mercado, respondendo por 77% das vendas em unidades (14 milhões por ano).
O levantamento foi feito pelo IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica, a pedido da Folha. O tranquilizante só perde hoje para o anticoncepcional Microvlar (em média, 20 milhões de unidades por ano).
Para os psiquiatras, há um abuso na indicação desse medicamento tarja preta, que causa dependência e pode provocar sonolência, dificuldade de concentração e falhas da memória.
Eles apontam algumas hipóteses para explicar o aumento no consumo: as pessoas querem cada vez mais soluções rápidas para aliviar a ansiedade e o clonazepam é barato (R$ 10, em média).
Médicos de outras especialidades podem prescrever o ansiolítico e há falta de fiscalização das vigilâncias sanitárias no comércio da droga.
Procurada, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não se manifestou sobre o assunto.
Para o psiquiatra Mauro Aranha de Lima, conselheiro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina), é "evidente" que existe indicação inapropriada do remédio, especialmente por parte de médicos generalistas, não familiarizados com a saúde mental.
Muitos pacientes, segundo ele, já chegam ao consultório com queixas de ansiedade e pedindo o Rivotril. "As pessoas trabalham até tarde, chegam em casa ansiosas e querem dormir logo. Não relaxam, não se preparam para o sono. Tomar Rivotril ficou mais fácil", diz ele, também presidente do Conselho Estadual Sobre Drogas.
Lima explica que entre as medidas adotadas pelo Cremesp para conter o abuso no uso do remédio estão cursos de educação continuada voltados a médicos generalistas.
Na sua opinião, a precariedade do atendimento de saúde mental no país também propicia o abuso do remédio.
INDICAÇÃO DE AMIGO
O psiquiatra José Carlos Zeppellini conta que recebe muitos pacientes que não tinham indicação para usar o remédio e que se tornaram dependentes da droga.
"Em geral, começaram a tomá-lo por sugestão de amigos e vizinhos, em um momento de tristeza, após terminar um namoro, por exemplo. Não é doença. Depois, não conseguem parar de tomá-lo porque têm medo de não se adaptar. É mais uma dependência psíquica do que física", acredita ele.
Entre os usuários do Rivotril, existe um misto de glamorização e demonização em relação à droga.
Páginas no Facebook, classificadas na categoria entretenimento, tratam o Rivotril como "remedinho maravilhoso". Outros grupos on-line, porém, discutem a dependência e os efeitos colaterais do remédio.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd1601201101.htm
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pedro quaresma cardoso,
psicologia cognitivo comportamental
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Cem Dias Entre o Céu e o Mar
Recomendamos a fonte da citação feita abaixo. Procurem e terão uma experiência fascinante através do relato de um cara que veio da África para o Brasil remando sozinho.
“Dias inteiros de calmaria, noites de ardentia, dedos no leme e olhos no horizonte, descobri a alegria de transformar distâncias em tempo. Um tempo em que aprendi a entender as coisas do mar, a conversar com as grandes ondas e não discutir com o mau tempo. A transformar o medo em respeito, o respeito em confiança. Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer”. Amyr Klynk - Cem Dias Entre o Céu e o Mar
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Pesquisa mapeará consumo de crack em Santos
Pesquisa mapeará consumo de crack em Santos
| Objetivo do estudo é contribuir para a construção de políticas públicas de prevenção e assistência adequadas à realidade local |
Santos, 20 de dezembro de 2010 – O campus Baixada Santista realizará em 2011 uma ampla pesquisa para identificar o perfil dos usuários de crack em Santos e os locais onde o uso é mais freqüente. O objetivo do trabalho é levantar as informações necessárias para a elaboração de políticas públicas de prevenção e assistência aos usuários em situação de risco naquele município. “Antes o crack estava presente nas classes menos favorecidas, e hoje está presente em todas as classes sociais, sendo um sério problema de saúde pública. Com este estudo, poderemos pensar em tratamentos mais condizentes com a realidade do usuário de crack da região e na construção de políticas consoantes com esta realidade”, diz a professora Dra. Adriana Marcassa Tucci, do Departamento de Saúde, Educação e Sociedade da Unifesp Baixada Santista, coordenadora do projeto. A pesquisa, prevista para ser realizada no decorrer de 2011, deverá reunir 12 alunos de todos os cursos de graduação da Unifesp Baixada Santista (Psicologia, Nutrição, Terapia Ocupacional, Serviço Social, Educação Física e Fisioterapia). As entrevistas e aplicação de questionários serão realizadas em diferentes locais no município, como, por exemplo, nas ruas da cidade, em ONGs que tratam dependência de substâncias psicoativas, e nas unidades do Centro de Atenção Psicossocial existentes em Santos. Denominado “Mapeamento e Perfil de Usuários de Crack no Município de Santos”, o projeto é um dos contemplados pelo Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (Pet Saúde) – Saúde Mental para 2011. O programa é realizado por meio de parceria entre a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES); Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) e Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde, e pela Secretaria de Educação Superior (SESU), do Ministério da Educação (MEC). O projeto tem ainda o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de Santos, por meio da Coordenadoria de Saúde Mental do município. |
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